Aparelho funcional é diferente do aparelho “de borrachinha” que muitos pais conhecem. Ele trabalha com a musculatura, a posição da mandíbula e as funções da boca durante o crescimento. Aqui explicamos como ele age, que tipos existem e o que esperar da adaptação.

Os aparelhos funcionais são dispositivos, em geral removíveis, que modificam a forma como a criança posiciona a mandíbula, a língua e os lábios. Ao mudar essa postura, eles alteram as forças que os músculos exercem sobre dentes e ossos em crescimento.
Um exemplo comum é a criança com o queixo mais para trás e os dentes de cima projetados. O aparelho pode manter a mandíbula numa posição mais avançada enquanto ela cresce. Parte da correção costuma ser dentária e parte esquelética, e essa proporção varia de criança para criança. Por isso a indicação depende de um diagnóstico cuidadoso, como explicamos em primeira avaliação infantil.
Nem toda alteração de mordida pede um aparelho funcional. Alguns casos se resolvem com acompanhamento ou com o fim de um hábito. Outros precisam de expansão da maxila ou de ortodontia, como o aparelho ortodôntico fixo, em outra fase.
Só a avaliação responde. Ela considera a idade, a fase de crescimento e o tipo de alteração antes de indicar qualquer aparelho.
Agendar avaliaçãoEstas situações não significam indicação automática. Servem para entender quando a avaliação pode discutir esse recurso.
Mandíbula recuada em relação à maxila, com perfil mais “convexo”, em criança ainda em crescimento.
Incisivos superiores muito à frente, às vezes com lábio inferior apoiado atrás deles.
Dentes de cima cobrindo grande parte dos de baixo, quando associada à posição da mandíbula.
A mandíbula escorrega para um lado na hora de morder, o que pode ter componente funcional.
Lábios que não se fecham em repouso ou língua apoiada entre os dentes, avaliados junto com outras funções.
Existem muitos modelos. A escolha depende do diagnóstico e da colaboração esperada, e nenhum tipo serve para todas as crianças.
Peças de acrílico e fios que posicionam a mandíbula e a língua. A criança coloca e retira, e o efeito depende das horas de uso.
Alguns dispositivos ficam presos aos dentes e mantêm a mandíbula avançada sem depender de colocar e tirar. Exigem higiene mais caprichada.
Usam superfícies de apoio para estimular movimentos de mastigação e equilíbrio da mordida.
Quando a maxila é estreita, a expansão pode vir antes ou junto do aparelho funcional. É um recurso ortopédico, não funcional.
Muitas crianças precisam alinhar os dentes depois, quando a dentição permanente estiver completa.
Exame clínico, análise das funções e, se indicados, radiografias, fotografias e modelos.
Registro dos dentes e da posição de mordida desejada para confeccionar o aparelho.
A criança aprende a colocar, retirar e limpar o aparelho. Os pais recebem o horário de uso.
Nos primeiros dias pode haver mais saliva, fala diferente e leve pressão. Isso costuma diminuir com o uso regular.
Ajustes periódicos e reavaliação do crescimento para decidir os próximos passos.
Aparelho removível só age quando está na boca. Combinar com a criança os horários de uso, como em casa e ao dormir, ajuda a criar rotina. Elogiar o esforço costuma ajudar mais do que cobrar.
Escove o aparelho todos os dias com escova macia e água, sem pasta abrasiva e sem água quente, que pode deformar o acrílico. Fora da boca, ele deve ficar sempre no estojo, longe de animais de estimação.
A escovação dos dentes continua sendo indispensável, porque o aparelho pode reter restos de alimento. Se houver hábito de sucção associado, vale ler sobre hábitos orais, chupeta e dedo.
Se o aparelho machucar, quebrar ou deixar de encaixar, não force nem tente ajustar em casa. Entre em contato com a clínica e leve o aparelho na consulta.
Ele muda a postura da mandíbula, da língua e dos lábios. Com isso, altera as forças musculares sobre dentes e ossos que ainda estão crescendo. O efeito depende do tipo de alteração, da fase de crescimento e do uso correto.
Depende do aparelho e do plano de tratamento. Muitos removíveis são indicados para uso em casa e durante o sono, mas o horário é definido caso a caso. O importante é seguir a orientação recebida.
Alguns aparelhos são usados só em casa e à noite; outros também durante o dia. Quando houver uso na escola, a criança deve guardá-lo no estojo para comer. Embrulhar em guardanapo é uma causa frequente de perda.
Nos primeiros dias, a fala pode ficar diferente e a saliva aumentar. Com o uso regular, a língua se adapta e isso tende a diminuir. Se a dificuldade persistir, vale comentar na consulta.
O aparelho fixo ortodôntico movimenta dentes com bráquetes e fios. O funcional atua na postura da mandíbula e nas funções durante o crescimento. Muitas crianças usam os dois, em fases diferentes.
Sem uso, o aparelho não age, e a fase de crescimento favorável pode passar. Se a criança está resistindo, converse com o profissional: às vezes ajustar o horário ou a abordagem resolve. Não é preciso esconder a dificuldade.