Chupar o dedo ou a chupeta é uma forma natural de o bebê se acalmar. O que pede atenção é a intensidade e por quanto tempo o hábito continua. Esta página ajuda a entender quando ele pode afetar os dentes e como reduzi-lo sem brigas.

Nos primeiros anos, os ossos da face são maleáveis. Uma chupeta ou um dedo mantidos na boca por muitas horas exercem pressão sobre dentes e palato e mudam a posição da língua. Com o tempo, isso pode favorecer mordida aberta, dentes de cima inclinados para frente e palato mais estreito.
O efeito depende de três fatores: frequência, intensidade e duração. Uma criança que usa chupeta só para dormir tem situação diferente de outra que passa o dia com ela. Quando o hábito para cedo, parte das alterações pode melhorar sozinha. Veja como essas alterações se apresentam em mordida cruzada e aberta na infância.
Outros hábitos também entram nessa conversa: mamadeira prolongada, língua apoiada entre os dentes ao engolir ou falar, roer unhas e morder objetos. Cada um tem efeitos e abordagens próprios, e nenhum deles é motivo de culpa para a família.
A avaliação mostra se já há efeito na mordida e ajuda a montar um plano gradual, de acordo com a idade da criança.
Agendar avaliaçãoSão comportamentos frequentes na infância. O ponto de atenção é quando persistem por muito tempo ou com muita intensidade.
Comum nos primeiros anos. Merece mais atenção quando segue além dos 3 anos ou é usada o dia todo.
Costuma ser mais difícil de largar, porque o dedo está sempre disponível. Pode deixar o dedo com calo ou pele enrugada.
Além da sucção, a mamadeira com leite ou líquidos açucarados à noite aumenta o risco de cárie.
A língua empurra os dentes da frente ao engolir ou falar. Pode estar ligada à mordida aberta e à fala.
Podem causar desgaste ou pequenas fraturas nos dentes e sobrecarga da musculatura, embora alterem menos a mordida.
Não é exatamente um hábito e pode ter causa médica. Merece avaliação própria.
O caminho costuma ser gradual e respeitar o momento da criança. A escolha depende da idade, do hábito e da maturidade dela.
Em linguagem simples, mostrar por que vale largar o hábito. Crianças maiores colaboram mais quando entendem e participam.
Limitar a chupeta a momentos específicos, como a hora de dormir, antes de retirá-la de vez.
Calendários com adesivos e elogios costumam ajudar mais do que castigos, broncas ou produtos amargos aplicados sem conversa.
Quando a língua se apoia entre os dentes ou há alteração na fala, o fonoaudiólogo pode trabalhar a musculatura.
Em casos selecionados, dispositivos que lembram a criança de não colocar o dedo podem ser considerados, sempre com a concordância dela.
Anote quando o hábito aparece: sono, tédio, cansaço, televisão. Isso mostra o que ele está suprindo.
Evite fases de mudança, como chegada de irmão, mudança de casa ou início da escola.
Estabeleça metas pequenas e comemore cada avanço.
Objeto de apego, colo, música ou leitura na hora de dormir podem substituir a sucção.
Se o hábito persistir ou já houver alteração na mordida, uma avaliação ajuda a definir os próximos passos.
A sucção é um reflexo natural do bebê. Ter usado chupeta ou chupado o dedo não significa que a criança terá problema na mordida. O que importa é acompanhar e agir com calma quando o hábito se prolonga.
Broncas, apelidos e exposição na frente de outras pessoas tendem a aumentar a ansiedade e, com ela, o hábito. A criança precisa sentir que está sendo ajudada, não punida.
Bicos chamados de “ortodônticos” não garantem que a mordida fique protegida. A frequência e o tempo de uso continuam sendo os fatores principais.
Se o hábito vier acompanhado de boca aberta, ronco ou sono agitado, leia sobre respiração bucal infantil. Para entender como é a consulta, veja primeira avaliação infantil.
Nos primeiros anos ela é comum e pode ajudar o bebê a se acalmar. A orientação geral é reduzir aos poucos e dar mais atenção quando o uso continua depois dos 3 anos. Cada criança, porém, tem seu momento.
Os efeitos na mordida podem ser parecidos. A diferença é que o dedo está sempre disponível, o que costuma tornar o hábito mais difícil de largar. Por isso a abordagem precisa ser paciente e combinada com a criança.
O uso prolongado envolve sucção e pode influenciar a mordida. Além disso, dormir mamando leite ou líquidos açucarados aumenta o risco de cárie. Higienizar os dentes depois e reduzir a mamadeira noturna aos poucos são cuidados importantes.
É quando a língua se apoia entre os dentes da frente ao engolir, falar ou em repouso. Pode contribuir para a mordida aberta e costuma ser trabalhada junto com o fonoaudiólogo. Muitas vezes acompanha hábitos de sucção ou respiração bucal.
Pode causar desgaste, pequenas fraturas nas bordas dos dentes e sobrecarga dos músculos da mastigação. Também leva sujeira à boca. Em geral, altera menos a mordida que a sucção, mas merece atenção.
Não há regra única. Para muitas crianças, a redução gradual é mais tranquila do que a retirada brusca. O importante é escolher um momento estável e oferecer acolhimento no lugar da chupeta.