Às vezes os pais percebem, numa foto ou durante uma risada, que os dentes da criança não se encaixam como deveriam. Mordida cruzada, aberta e profunda são alterações comuns na infância. Entender o que cada uma significa ajuda a decidir quando procurar avaliação.

Na mordida cruzada, dentes de cima encaixam por dentro dos de baixo. Pode ser posterior, nos dentes de trás, de um lado ou dos dois, ou anterior, nos dentes da frente. Na mordida aberta, os dentes não se tocam quando a criança fecha a boca, em geral na frente. Na mordida profunda, os dentes de cima cobrem boa parte dos de baixo.
As causas mais comuns incluem hábitos de sucção, postura da língua, respiração pela boca, maxila estreita, perda precoce de dentes de leite e características herdadas da família. Os hábitos são tratados em detalhe em hábitos orais, chupeta e dedo.
Uma diferença importante é entre alteração dentária, quando o problema está na posição dos dentes, e esquelética, quando envolve o tamanho ou a posição da maxila e da mandíbula. As dentárias costumam ser mais simples. As esqueléticas dependem muito do crescimento e podem exigir acompanhamento até a adolescência. Em adultos, o tema é abordado em problemas de mordida.
Uma avaliação mostra se a alteração é dentária ou esquelética e se o momento é de tratar ou de acompanhar.
Agendar avaliaçãoObservar não é diagnosticar. Estes sinais apenas indicam que vale levar a criança para uma avaliação.
Um ou mais dentes da frente encaixados ao contrário ao morder.
A mandíbula escorrega para um lado, e o rosto pode parecer assimétrico na mordida.
A língua aparece entre os dentes, às vezes ao falar ou engolir.
Ao sorrir, quase não se veem os incisivos inferiores porque os de cima cobrem tudo.
A criança evita morder com os dentes da frente ou mastiga de um lado só.
A conduta depende do tipo, da causa, da idade e de a alteração ser dentária ou esquelética.
Quando a causa é maxila estreita, a expansão da maxila na infância costuma ser considerada, pois a sutura do palato ainda responde ao tratamento.
Um dente isolado cruzado pode ser corrigido de forma simples. Quando envolve a mandíbula à frente, o acompanhamento costuma se estender pelo crescimento.
Na dentição de leite, a mordida aberta causada por chupeta ou dedo pode melhorar quando o hábito é abandonado. A língua também é avaliada.
Pode estar ligada à mandíbula recuada. Em alguns casos, aparelhos funcionais ajudam; em outros, a correção fica para a ortodontia.
Algumas alterações leves são acompanhadas, com retornos definidos, sem aparelho no momento.
Hábitos, respiração, sono, perda de dentes de leite e casos parecidos na família.
Encaixe dos dentes em repouso e em movimento, desvios da mandíbula e formato das arcadas.
Posição da língua, fechamento dos lábios, deglutição e mastigação.
Radiografias, fotografias ou modelos, quando necessários para diferenciar o componente dentário do esquelético.
Explicação para a família sobre tratar agora, acompanhar ou encaminhar a outro profissional.
Avaliar cedo não é o mesmo que tratar cedo. Muitas vezes a avaliação serve para registrar como a mordida está e acompanhar a evolução. Saiba mais em primeira avaliação infantil.
A mordida cruzada com desvio da mandíbula é um dos casos em que a avaliação precoce costuma ser recomendada, porque o desvio repetido pode influenciar o crescimento de forma assimétrica.
Se a criança respira pela boca ou ronca, a mordida é só uma parte da história. Leia sobre respiração bucal infantil e converse também com o pediatra.
Após uma correção, os retornos são importantes. O crescimento continua e pode mudar o encaixe dos dentes ao longo dos anos.
O primeiro passo é uma avaliação para identificar se a causa é dentária, esquelética ou funcional. Quando há maxila estreita ou desvio da mandíbula, o tratamento na infância costuma ser considerado. A decisão depende do exame da criança.
Na dentição de leite, quando a causa é a chupeta ou o dedo, ela pode melhorar após o fim do hábito. Se a língua continua se apoiando entre os dentes ou há componente esquelético, a melhora espontânea é menos provável. Por isso vale acompanhar.
Um certo trespasse dos dentes de cima sobre os de baixo é normal. Quando é excessivo, os dentes de baixo podem tocar a gengiva do céu da boca ou indicar mandíbula recuada. A avaliação define se é caso de acompanhar ou tratar.
A mordida cruzada de um lado só, com desvio da mandíbula, pode dar aparência de assimetria ao morder. Se o desvio persistir durante o crescimento, pode influenciar o desenvolvimento. Esse é um dos motivos para não deixar a avaliação para muito tarde.
Nem sempre. Espaços entre os dentes de leite, por exemplo, são comuns e até desejáveis. Já mordida cruzada ou aberta na dentição de leite merece avaliação, pois pode persistir na troca dos dentes.
Pode haver componente familiar, principalmente nas alterações esqueléticas, como a mandíbula mais à frente. Mas hábitos, respiração e postura da língua também influenciam. Contar o histórico da família ajuda no diagnóstico.